16 de outubro de 2026

Murais, grafites e arte urbana para conhecer em Curitiba

Murais, grafites e arte urbana para conhecer em Curitiba

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Quem caminha por Curitiba encontra arte em lugares que nem sempre aparecem nos roteiros tradicionais. Ela está nas laterais dos edifícios, nos azulejos de uma praça, nos muros do Centro Histórico e até nos silos de um moinho. Entre uma esquina e outra, essas obras apresentam personagens, registram costumes e ajudam a contar a história da capital paranaense.

Observar esses detalhes é uma maneira de redescobrir a cidade. Um trajeto conhecido pode ganhar outro interesse quando percebemos o desenho que acompanha a calçada ou o retrato que ocupa uma fachada inteira.

De painéis históricos a grandes pinturas contemporâneas, reunimos obras ligadas ao patrimônio cultural e a iniciativas de empresas e instituições. São diferentes formas de aproximar a arte do cotidiano e valorizar a paisagem curitibana.

1. “Ciclos”, de Eduardo Kobra: arte nos silos da Anaconda

Os silos de grãos da Moinhos Anaconda, no bairro Jardim Botânico, em Curitiba, estão recebendo o trabalho do Eduardo Kobra, o mais famoso grafiteiro do país. Curitiba, 13/02/2025. FOTO: Isabella Mayer/SECOM

Na região próxima à Rodoferroviária, os silos do Moinho Anaconda ganharam cores e imagens que chamam a atenção pela dimensão. O conjunto “Ciclos”, de Eduardo Kobra, ocupa aproximadamente 5 mil metros quadrados e foi entregue em março de 2025.

Encomendada pela empresa, a obra apresenta três etapas da transformação do trigo em pão: a colheita dos grãos, a massa sendo sovada e o alimento pronto. O tema aproxima a pintura da atividade do moinho e presta uma homenagem ao trabalho envolvido nessa produção.

Um dos aspectos interessantes é a própria superfície. Em vez de uma parede plana, Kobra trabalhou com estruturas cilíndricas, considerando suas curvas para construir as imagens. A arquitetura industrial passou, assim, a fazer parte da experiência visual.

Para quem aprecia fotografia, vale observar como os desenhos se apresentam de diferentes ângulos, sempre a partir de locais seguros e permitidos.

Onde encontrar: Moinho Anaconda, na Rua Engenheiro Leão Sounis, 320, no Jardim Botânico. A sugestão é apreciar a obra externamente; o endereço é de uma unidade industrial.

2. Barão do Serro Azul: memória na fachada da Associação Comercial

No Centro, a sede da Associação Comercial do Paraná recebeu um mural dedicado ao seu fundador, Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. A obra é assinada pelo artista curitibano Gardpam.

Com aproximadamente 30 metros de altura, o painel combina o retrato do homenageado com elementos como a araucária e a rosácea. A composição em preto e branco estabelece uma relação com a arquitetura tradicional do entorno, onde estão edifícios como o histórico prédio da Universidade Federal do Paraná e o dos Correios.

A escolha das cores permite uma experiência diferente daquela proporcionada pelos murais mais coloridos. Aqui, o destaque está no rosto, nos contrastes e nos detalhes que podem ser percebidos durante a caminhada.

A parada também abre espaço para conhecer personagens ligados ao desenvolvimento de Curitiba. Arte, comércio e memória se encontram em uma região que faz parte da rotina de muitas gerações.

Onde encontrar: sede da Associação Comercial do Paraná, na Rua XV de Novembro, 621, com referência também pela Rua Presidente Faria.

3. Poty na Travessa Nestor de Castro: Curitiba em duas perspectivas

Prefeitura revitaliza painel de Poty na Travessa Nestor de Castro.
Curitiba, 18/10/2017.
Foto: Levy Ferreira/SMCS

Os painéis de Poty Lazzarotto na Travessa Nestor de Castro merecem uma visita sem pressa. Próximos ao Largo da Ordem, eles apresentam diferentes momentos da cidade e oferecem muitos detalhes para observar.

Inaugurado em 1993, “O Largo da Ordem” retrata uma Curitiba antiga, com referências às carroças, ao comércio e aos imigrantes que chegavam à região para vender seus produtos. Construções e elementos conhecidos, como a Igreja da Ordem e o bebedouro, aparecem na composição.

Já “Imagens da Cidade”, inaugurado em 1996, reúne símbolos de uma Curitiba mais contemporânea: Jardim Botânico, Ópera de Arame, Rua 24 Horas e estações-tubo, além de referências naturais como a araucária. Os azulejos dos dois painéis foram executados pelo ceramista Adoaldo Lenzi.

Uma boa maneira de aproveitar a visita é procurar os lugares representados e comparar as cenas com a cidade atual. Para famílias, a observação pode virar uma brincadeira: quem encontra primeiro um ponto turístico conhecido?

Onde encontrar: Travessa Nestor de Castro, junto ao Centro Histórico.

4. “Largo da Ordem 360º”: uma nova leitura do Centro Histórico

Prefeito Eduardo Pimentel com o presidente da FCC, Marino Galvão Junior, e o artista Simon Taylor, inaugura o painel Largo da Ordem 360º. Curitiba, 17/03/2026. Foto: Pedro Ribas/SECOM

A tradição dos painéis cerâmicos ganhou um novo capítulo em março de 2026, com a inauguração de “Largo da Ordem 360º”, do artista curitibano Simon Taylor.

A obra apresenta uma vista aérea estilizada do Centro Histórico. Entre as referências estão a Casa Romário Martins, a Igreja da Ordem, a Casa Vermelha e o bebedouro, além do desenho característico do calçamento.

O interesse está em reconhecer a região por outra perspectiva. Lugares que normalmente vemos da calçada aparecem reunidos em uma composição que convida a explorar formas, caminhos e construções.

Produzido em azulejos pelo Estúdio Lenzi, o painel também estabelece uma ligação com a tradição cerâmica presente nas obras de Poty. A proximidade entre os trabalhos torna a visita especialmente interessante para perceber diferentes maneiras de representar Curitiba.

Onde encontrar: parede lateral da Papelaria João Haupt, no encontro das ruas Barão do Serro Azul, São Francisco e Travessa Nestor de Castro.

5. Helena Kolody: um encontro com a poesia

Murais espalham poesia e a arte urbana no coração de Curitiba.
Foto: Cido Marques

Perto do Paço da Liberdade, a literatura paranaense ganha uma presença monumental. O mural dedicado a Helena Kolody ocupa a fachada de um edifício de 17 andares, na região da Praça Generoso Marques.

Assinada por Gardpam, a pintura reúne o rosto da poeta e um de seus versos, aproximando palavra e imagem em um espaço de circulação cotidiana.

É uma obra que convida a levantar os olhos. Em meio às vitrines, aos compromissos e ao movimento do Centro, o retrato cria uma oportunidade de pausa e de contato com a cultura paranaense.

A visita pode ser combinada com a observação das fachadas históricas da praça. Vale olhar o conjunto com calma: a escala da pintura e os detalhes dos prédios oferecem experiências diferentes, mas complementares.

Onde encontrar: região da Praça Generoso Marques, próximo ao Paço da Liberdade, no Centro.

6. Praça 19 de Dezembro: um clássico de Poty

Nova iluminação destaca os monumentos da Praça 19 de Dezembro.
Curitiba, 22/07/2021.
Foto: Luiz Costa/SMCS

A presença da arte nas ruas de Curitiba atravessa décadas. Na Praça 19 de Dezembro está o primeiro mural de Poty na cidade, realizado em 1953.

O painel de azulejos azuis e brancos mede aproximadamente 3 metros de altura por 30 de comprimento. Suas sete cenas apresentam acontecimentos ligados à história paranaense. A obra integra o conjunto criado para celebrar o centenário da emancipação política do Paraná.

O formato alongado favorece uma observação gradual, acompanhando as imagens ao longo da praça. Em vez de tentar compreender tudo de uma vez, vale perceber personagens, atividades e elementos da paisagem.

É também uma oportunidade para conhecer a variedade da arte pública: pinturas em fachadas e painéis cerâmicos utilizam materiais e técnicas diferentes, mas ambos podem transformar nossa relação com os espaços urbanos.

Onde encontrar: Praça 19 de Dezembro, no Centro.

Como organizar seu passeio

Os pontos do Centro podem ser agrupados em uma caminhada, com paradas na Praça 19 de Dezembro, no entorno do Largo da Ordem, na Praça Generoso Marques e na Rua XV. Ajuste o percurso ao seu ritmo e reserve tempo para observar as obras.

O mural da Anaconda pode entrar como uma etapa complementar, com deslocamento separado. Prefira a luz do dia e fotografe a partir das calçadas e dos espaços de circulação permitida.

Conhecer essas obras é descobrir novas razões para apreciar Curitiba. Para a Habitec, apresentar os bairros também passa por reconhecer os detalhes, as histórias e as experiências que fazem parte de viver na cidade.

FOTOS: SMCS / SECOM

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