21 de agosto de 2026
15 curiosidades sobre Curitiba que até quem mora na cidade talvez não conheça
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Curitiba é conhecida pelo Jardim Botânico, pela Ópera de Arame, pelos parques e por seu sistema de transporte. Mas, por trás dos cartões-postais mais famosos, a capital paranaense guarda histórias bem menos conhecidas.
Há um portão inspirado em um cemitério de cães de Paris, um antigo bondinho que já funcionou como “estacionamento de crianças” e até os vestígios da Curitiba do século XIX preservados sob placas de vidro.
Algumas dessas histórias estão bem diante dos nossos olhos, basta saber onde procurar.
Confira 15 curiosidades sobre Curitiba que ajudam a enxergar a cidade de um jeito diferente.
1. O calçadão da Rua XV começou a ser construído em uma sexta-feira à noite
Hoje é difícil imaginar a Rua XV de Novembro tomada por carros. Em 1972, porém, transformar uma das principais vias do Centro em espaço exclusivo para pedestres era uma ideia bastante ousada.
E havia resistência, principalmente por parte de comerciantes.
Para colocar o projeto em prática rapidamente, equipes da Prefeitura começaram os trabalhos na noite de sexta-feira, 19 de maio de 1972. O planejamento inicial previa meses de obras, mas a transformação começou durante um único fim de semana.
A Rua XV entrou para a história como a primeira via exclusiva para pedestres do Brasil.
2. O Bondinho da Rua XV já foi um “estacionamento de crianças”
O pequeno bondinho instalado no calçadão da Rua XV hoje abriga livros, mas sua primeira função era bem diferente.
Colocado ali em 1973, ele ficou conhecido como “estacionamento de crianças”.
A proposta era que os pequenos permanecessem no espaço, com atendimento e atividades, enquanto os pais faziam compras ou resolviam outras coisas no Centro.
Mais tarde, o bondinho virou posto de informações turísticas. Somente décadas depois passou a funcionar como o atual Bondinho da Leitura.
3. Existe um pedaço da Curitiba antiga embaixo de um vidro na Praça Tiradentes
Quem atravessa a Praça Tiradentes talvez já tenha percebido algumas estruturas de vidro instaladas no chão.
Elas não estão ali apenas como elemento arquitetônico.
Durante intervenções realizadas na praça foram encontrados vestígios de antigos pisos do Largo da Matriz, nome pelo qual a região era conhecida no passado. Parte desse material, possivelmente do período imperial, foi preservada e pode ser observada por quem passa pelo local.
É, literalmente, uma pequena janela para a Curitiba de outros séculos.
4. Pedras das Ruínas de São Francisco foram usadas na Catedral
As famosas Ruínas de São Francisco são o que restou de um projeto que nunca chegou a ser concluído: a Igreja de São Francisco de Paula.
Em 1811, a capela-mor e a sacristia já estavam prontas. A construção, entretanto, não avançou como planejado.
Décadas depois, em 1860, pedras que seriam utilizadas para terminar a igreja acabaram sendo aproveitadas na conclusão da torre da antiga Igreja Matriz; atual Catedral Basílica de Curitiba.
Ou seja: parte da história de uma construção inacabada ajudou a formar outro importante marco da cidade.
5. A primeira imagem conhecida de Curitiba está ligada às mesmas ruínas
As Ruínas de São Francisco guardam outra história interessante.
Uma representação da construção feita pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret, em 1827, é apontada pelo Turismo de Curitiba como a primeira imagem conhecida da cidade.
Na obra, é possível observar a construção do que seria a Igreja de São Francisco de Paula e elementos da Curitiba daquele período.
Muito antes das fotografias e cartões-postais, foi esse registro artístico que ajudou a preservar visualmente um pedaço da cidade.
6. O “Cavalo Babão” lembra a época em que animais paravam para beber água no Centro
Quem frequenta o Largo da Ordem provavelmente conhece a Fonte da Memória, ou, pelo nome muito mais popular, Cavalo Babão.
A cabeça de cavalo em bronze, criada pelo artista Ricardo Tod, não foi escolhida por acaso. A obra homenageia os colonos e imigrantes que chegavam de carroça ao Centro para comercializar produtos de suas chácaras.
Na região existia um bebedouro utilizado pelos animais. É justamente essa memória que a fonte representa, com água saindo pela boca do cavalo.
7. O portão do Passeio Público foi inspirado em um cemitério de cães de Paris
Essa parece uma daquelas histórias inventadas sobre a cidade, mas é documentada oficialmente.
Os históricos portões do Passeio Público foram inspirados no Cimetière des Chiens, o Cemitério dos Cães de Asnières-sur-Seine, nos arredores de Paris.
O primeiro parque público de Curitiba foi inaugurado em 1886, e o conjunto ganhou seus famosos portões posteriormente.
O detalhe francês passa despercebido por muita gente que cruza uma das áreas mais tradicionais do Centro.
8. Uma mulher saiu de balão do Passeio Público e terminou no telhado da Catedral
O Passeio Público também foi cenário de uma aventura pouco conhecida.
Em 1909, a espanhola Maria Aída decolou dali no balão Granada. O plano era realizar o voo e pousar na região da Praça Tiradentes.
O final não ocorreu exatamente como esperado: o balão acabou caindo sobre o telhado da Catedral.
Segundo a Prefeitura, o episódio colocou Maria Aída na história como a primeira mulher de Curitiba — e do Brasil — a realizar sozinha um voo de balão.
9. O primeiro elevador elétrico de Curitiba ainda pode ser visto
Na Praça Generoso Marques fica um dos prédios históricos mais importantes da cidade: o Paço da Liberdade, inaugurado em 1916 e antiga sede da Prefeitura.
Seu interior guarda uma inovação e tanto para a época. O prédio recebeu o primeiro elevador elétrico de Curitiba, adquirido em 1915 e colocado em funcionamento em 1922.
O equipamento não opera mais, mas permanece preservado e pode ser observado pelos visitantes.
10. Há um relógio de sol escondido na fachada de uma antiga farmácia
Na região da Praça Tiradentes existe outro detalhe que muita gente atravessa diariamente sem perceber.
A Farmácia Stellfeld foi aberta em 1857 por Augusto Stellfeld e é apresentada pela Prefeitura como a primeira farmácia de Curitiba.
Na fachada do prédio há um curioso relógio de sol, acompanhado da inscrição “1857”.
Em meio aos prédios, lojas e movimento do Centro, ele é um pequeno vestígio de uma época em que acompanhar as horas não dependia de uma tela no bolso.
11. Curitiba já teve um “cemitério dos bexiguentos”
No início do século XIX, uma forte epidemia de varíola atingiu Curitiba e seus arredores.
O aumento no número de mortes levou à criação, em 1815, do Cemitério do Sítio do Mato, aproximadamente na região onde atualmente fica o bairro Cristo Rei.
O padre José Barbosa de Brito, que benzeu o local, referia-se a ele como o cemitério dos “bexiguentos”, em alusão às pessoas acometidas pela varíola.
Registros indicam que outros três ou quatro cemitérios semelhantes podem ter surgido durante a epidemia e desaparecido depois do fim do surto.
12. Vinicius de Moraes “batizou” o Teatro do Paiol com uísque
Antes de ser um dos espaços culturais mais conhecidos de Curitiba, o Teatro do Paiol serviu como depósito de pólvora e munições. A transformação aconteceu no início da década de 1970.
Na inauguração, em 27 de dezembro de 1971, Vinicius de Moraes esteve em Curitiba acompanhado de Toquinho, Marília Medalha e Trio Mocotó.
E o poeta realizou um batismo bastante particular: derramou uísque no palco do novo teatro. A experiência também inspirou Vinicius e Toquinho a comporem a música Paiol de Pólvora.
13. Uma obra no Bosque Zaninelli foi acelerada porque Jacques Cousteau estava vindo para Curitiba
O Bosque Zaninelli nasceu em uma antiga área de exploração de granito e foi inaugurado em 1992.
Naquele ano, Curitiba receberia ninguém menos que o oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau.
Em relato divulgado pela Prefeitura, o arquiteto Domingos Bongestabs contou que a inauguração da edificação que abrigaria a Universidade Livre do Meio Ambiente foi antecipada em dois meses depois que o então prefeito Jaime Lerner descobriu que Cousteau estaria na cidade.
A correria foi tanta que a passarela de acesso ao prédio ficou pronta na véspera da inauguração.
14. Um antigo espaço industrial virou área dedicada à arte
O Parque São Lourenço é lembrado pelo lago e pelas grandes áreas verdes, mas também guarda um exemplo interessante de reaproveitamento urbano.
Uma antiga fábrica de cola e adubo existente na região foi transformada no Centro de Criatividade de Curitiba.
O espaço passou a receber cursos, oficinas, exposições e atividades artísticas.
É um bom exemplo de como diferentes fases da cidade permanecem sobrepostas: um lugar ligado à produção industrial ganhou uma função cultural e passou a fazer parte de um dos parques mais conhecidos da capital.
15. Curitiba abriga um dos museus mais antigos do Brasil
O Museu Paranaense foi inaugurado em 25 de setembro de 1876, quando instituições desse tipo ainda eram raras no país.
Seu acervo inicial reunia aproximadamente 600 objetos, entre minerais, peças arqueológicas, moedas, animais, insetos e outros itens.
A instituição é reconhecida como o primeiro museu do Paraná e o terceiro mais antigo do Brasil.
Mais de um século depois, o MUPA continua sendo uma das principais instituições dedicadas à preservação da história, arqueologia e antropologia paranaenses.
Curitiba vai muito além dos cartões-postais
Parte do charme de Curitiba está justamente nesses detalhes.
Uma praça pode esconder vestígios arqueológicos sob o piso. Um parque pode ter surgido onde antes existia um charco ou uma fábrica. E lugares pelos quais milhares de pessoas passam diariamente carregam histórias que remontam a dois ou três séculos.
Conhecer essas curiosidades é também uma forma diferente de descobrir a cidade, seja para quem está visitando Curitiba pela primeira vez ou para quem mora aqui há anos.
Afinal, quanto mais se conhece Curitiba, mais fica evidente que há sempre alguma história esperando para ser encontrada na próxima esquina.
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