29 de agosto de 2025

Educação financeira para crianças: por que começar desde cedo faz diferença

Educação financeira para crianças: por que começar desde cedo faz diferença

0 curtidas

A educação financeira para crianças é essencial para formar adultos conscientes, capazes de planejar, poupar e realizar seus maiores sonhos.

O endividamento das famílias brasileiras atinge níveis preocupantes: 78,2% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Muitas tem o orçamento mensal comprometido e limitam a realização de sonhos, como viajar com a família ou conquistar a casa própria.

Esse cenário revela um ponto central: a falta de educação financeira desde a infância. Sem aprender a planejar gastos, poupar e investir, as crianças crescem sem referências, repetindo padrões que levam ao consumo descontrolado e ao endividamento. Por outro lado, quando o assunto “dinheiro” é tratado em casa e na escola desde cedo, forma-se uma base para que os jovens se tornem adultos mais conscientes e capazes de construir um futuro financeiro mais estável.

Neste artigo, você verá por que ensinar finanças às crianças faz toda a diferença, quais iniciativas já estão acontecendo em Curitiba e no Brasil e como a educação financeira infantil, além de transformar a vida das famílias, pode impactar o futuro do mercado imobiliário.

Por que falar de dinheiro desde cedo?

Falar sobre dinheiro com crianças ainda é um tabu em muitas famílias. Muitos pais acreditam que o tema deve ser tratado só na vida adulta, quando os filhos já começam a lidar de forma mais direta. Mas a verdade é que os primeiros hábitos financeiros são formados já na infância, e, quanto mais cedo o aprendizado começar, há mais chances dessa criança desenvolver uma relação saudável com o dinheiro.

Introduzindo noções simples de planejamento financeiro e consumo consciente, as crianças aprendem a diferenciar necessidades de desejos, a lidar com a frustração de não poder comprar tudo de imediato e a valorizar o esforço feito para conquistar objetivos. 

E são com esses ensinamentos que ela vai criando uma base para decisões mais complexas no futuro, como investimentos, crédito ou até a compra de um imóvel.

Pensando no dia a dia, algumas ações simples já fazem diferença:

  • Mesada: ajuda na hora de ensinar a criança a dividir o valor entre gastos imediatos, poupança e objetivos de médio/longo prazo.
  • Cofrinho ou poupança digital: serve como auxílio visual para o crescimento do dinheiro guardado, criando estímulo.
  • Planejamento em família: incluir os filhos em pequenas decisões de casa, como escolher entre um passeio mais caro ou duas atividades mais simples dentro do mesmo orçamento.

Em Curitiba, essa discussão vem ganhando espaço. Projetos recentes, como o Projeto de Lei sobre Educação Financeira nas escolas, da Câmara Municipal de Curitiba, reforçam a importância de incluir o tema no ambiente escolar, justamente para ampliar o acesso ao conhecimento e preparar melhor os jovens para a vida adulta.

O papel da família na educação financeira

Embora escolas e programas nacionais sejam fundamentais para ampliar o acesso ao tema, a primeira sala de aula de educação financeira é dentro de casa. As atitudes que as crianças observam no dia a dia (como os pais lidam com compras, pagamentos e até com dívidas) influenciam diretamente na forma como elas irão se relacionar com o dinheiro no futuro.

Os pais podem ir além de ensinar a poupar; eles têm a oportunidade de mostrar, na prática, valores como responsabilidade, paciência e planejamento. Por exemplo: ao explicar por que é preciso esperar alguns meses para trocar de carro ou reformar a casa, a criança aprende sobre prioridades e metas de longo prazo.

Esse processo pode ser feito de forma leve e até divertida. Algumas ideias incluem:

  • Envolver os filhos em pequenas compras

Pedir que ajudem a comparar preços no supermercado ou avaliar promoções.

  • Criar metas em conjunto

Definir um objetivo, como comprar um brinquedo, e estimular que a criança guarde parte da mesada até alcançá-lo.

  • Celebrar conquistas financeiras

Mostrar que guardar dinheiro também gera recompensas e não apenas restrições.

E além do ensinamento que a criança carrega para a vida, esse aprendizado fortalece o vínculo entre pais e filhos, desenvolve autonomia e dá às crianças a confiança necessária para tomar decisões no futuro.

Programas e iniciativas governamentais

Nos últimos anos, a educação financeira ganhou espaço como uma pauta essencial dentro e fora da escola. O próprio Banco Central, em parceria com o Ministério da Educação, tem investido em programas que buscam formar uma geração mais preparada para lidar com dinheiro.

Um dos destaques é o Aprender Valor, já presente em mais de 24 mil escolas pelo país. O programa incentiva professores e estudantes a refletirem sobre o tripé PLA-POU-CRÉ — planejarpoupar e usar o crédito de forma consciente. A metodologia é integrada às disciplinas obrigatórias, em linha com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), e tem mostrado resultados positivos no desenvolvimento de hábitos financeiros desde o ensino fundamental.

Há também, por exemplo, competições como a Olimpíada de Educação Financeira (Olitef), que envolve milhares de escolas públicas e privadas e premia alunos com títulos públicos, incentivando desde cedo a prática de investir.

Curitiba tem se destacado em educação financeira

Em Curitiba e no Paraná, esse movimento já é realidade. Desde 2021, a educação financeira faz parte da grade curricular do ensino médio estadual, alcançando cerca de 400 mil alunos em todo o estado. O objetivo é ajudar os jovens a organizar suas finanças pessoais e até contribuir com o orçamento familiar. Em 2025, a Câmara Municipal de Curitiba também discutiu um projeto de lei para ampliar a educação financeira e empreendedora nas escolas públicas e privadas da cidade, reforçando a importância de preparar os estudantes para lidar com dinheiro de forma consciente.

Essas iniciativas demonstram que a educação financeira para crianças deixou de ser um tema secundário e passou a ser vista como estratégia de transformação social, capaz de reduzir o endividamento, estimular o consumo consciente e preparar os jovens para decisões que terão impacto direto no futuro, inclusive na realização do sonho da casa própria.

Investimentos e contas digitais para crianças

Uma das formas mais práticas de introduzir a educação financeira na infância é por meio das contas digitais para menores de idade, já oferecidas por diferentes bancos e fintechs no Brasil.

Entre as instituições que contam com esse tipo de serviço estão:

  • Nubank
  • Banco Inter
  • Banco Next
  • C6 Bank
  • Banco do Brasil
  • Mercado Pago

Essas contas geralmente são voltadas para crianças e adolescentes; a idade para abertura vai em média de 6 a 17 anos. Elas contam com ferramentas de acompanhamento pelos pais ou responsáveis e é possível programar mesadas, criar poupança, acompanhar gastos em tempo real e até começar a investir, sempre com limites e supervisão.

Essas contas são boas opções para por o aprendizado em prática. A criança consegue visualizar como o dinheiro cresce, entende a importância de economizar e a pensar com consciência.

Para os pais, é uma oportunidade de orientar os filhos de forma mais autônoma mas sem abrir mão do controle, preparando-os para o futuro.

Educação financeira e o futuro do mercado imobiliário

Quando falamos em educação financeira para crianças, não se trata apenas de ensiná-la a guardar dinheiro no cofrinho ou a controlar pequenos gastos do dia a dia. O impacto é de longo prazo: um jovem que aprende a planejar e investir desde cedo se torna um adulto mais preparado para lidar com grandes decisões financeiras, como assumir um financiamento ou investir em um imóvel para morar ou alugar.

Esse preparo é ainda mais urgente diante da realidade atual do mercado. Segundo pesquisa recente da consultoria Ipsos62% dos jovens brasileiros acreditam que comprar um imóvel hoje é mais difícil do que para as gerações anteriores. E isso não se trata de mera percepção: a inflação no setor, aumento nos custos de construção e juros elevados realmente dificultam a aquisição da casa própria, levando muitos a adiar esse sonho.

A boa notícia é que a educação financeira pode ser uma aliada poderosa nesse processo. Jovens que aprendem a organizar suas finanças desde sempre conseguem ter mais clareza sobre como formar uma reserva de emergência e planejar a entrada de um financiamento, chegando mais perto de conquistar esse grande bem.

Conclusão

A educação financeira para crianças ajuda a formar adultos mais conscientes, preparados para lidar com escolhas importantes e capazes de transformar sonhos em realidade. Ao longo da vida, quem aprende desde cedo a planejar, poupar e investir carrega consigo hábitos que fazem diferença, seja no dia a dia, seja na hora de tomar grandes decisões (como organizar a vida familiar, investir e conquistar bens).

A educação financeira, então, vai além das escolas; é algo que deve se fazer presente entre famílias, instituições e sociedade. Quanto antes esse conhecimento se tornar parte da rotina, mais preparadas estarão as próximas gerações para enfrentar os desafios que o dinheiro traz e para aproveitar as oportunidades que surgirem pelo caminho.

Na Habitec, sabemos que cada passo dado com planejamento e consciência faz parte na hora de construir o futuro. E a educação financeira, quando cultivada desde cedo, é uma das chaves mais poderosas para transformar esse futuro em realidade.

Comentários

Seu email não será publicado.

Relacionados

Você também pode gostar